O Ramadã e a Copa do Mundo

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Com o fim da fase de Grupos da Copa, e o início das chaves – e a aproximação do mês de julho –, surgiu a preocupação com o jejum obrigatório do nono mês do calendário islâmico (lunar), que se iniciou no dia 28 de junho de 2014.

Muitos jogadores das seleções da fase das oitavas são muçulmanos e, portanto, seguem a tradição do Ramadã. A Argélia e Nigéria, por serem de países predominantemente muçulmanos, apresentam inúmeros jogadores que o seguem.

Na Suíça, Xherdan Shaqiri, a estrela do time, é muçulmano. Na seleção francesa, além da estrela Karim Benzema, Moussa Sissoko e Mamadou Sakho. Na Bélgica, um dos principais jogadores, Marouane Fellaini, é muçulmano. Adnan Januzaj e Mousa Dembele também são. Já na Alemanha, Mesut Özil e Sami Khedira são muçulmanos.

Evidentemente, jejuar durante a fase da Copa irá afetar o desempenho dos jogadores. E, como vimos, são jogadores essenciais às suas respectivas seleções. Como proceder? Religião ou profissão?

Antes de tudo, é válido explicar o que é verdadeiramente o Ramadã.

No Alcorão, Capítulo 2, Revelação 185:

O mês de Ramadan foi o mês em que foi revelado o Alcorão, orientação para a humanidade e evidência de orientação e discernimento.

Então, de acordo com o Alcorão, Maomé recebeu as revelações no mês lunar do Ramadã. Portanto, este mês é considerado o mês mais sagrado do calendário Islâmico, este se iniciando com a peregrinação a Meca.

Por conseguinte, quem de vós presenciardes o novilúnio deste mês deverá jejuar; porém, quem se achar enfermo ou em viagem jejuará, depois, o mesmo número de dias.

O jejum é obrigatório a todos que atingiram a puberdade. Contudo, pode-se se isentar do Ramadã, em caso de doença ou viagem, desde que reponha o jejum posteriormente. A Revelação 185 continua, afirmando que:

Deus vos deseja a comodidade e não a dificuldade, mas cumpri o número (de dias), e glorificai a Deus por ter-vos orientado, a fim de que (Lhe) agradeçais.

O Ramadã é essencialmente um mês de abstenção; não apenas de alimentos e líquidos – desde o nascer do dia até o pôr-do-sol –, mas também de pensamentos, ações e palavras. É um mês da reflexão espiritual, rezas, boas ações, caridade, generosidade, autodisciplina, autocontrole e autocontenção. É o tempo para estabelecer uma maior aproximação com Alá e educar o corpo e a mente para vencer as vontades mundanas. Durante o mês, são feitas orações extras, entre elas o “Tarawih”, em que o Alcorão é recitado na sua totalidade, como a melhor forma de comemorar a sua revelação.

É um equívoco pensar que os muçulmanos da Copa estão em um dilema religioso. O Alcorão protege, dentre inúmeras coisas, a vida de seus seguidores. Se seguir o Ramadã irá pôr em risco sua saúde, é melhor fazê-lo posteriormente – como a própria Lei Sagrada disciplina. Era muito comum os próprios seguidores do Profeta deixarem de jejuar nas viagens que faziam junto a Maomé.

É também uma escolha pessoal. A religião é extremamente pessoal, o Ramadã inclusive. Não é da conta dos réporteres e curiosos de plantão saber se certos jogadores estão ou não seguindo estritamente o mês sagrado durante a Copa. Basta todos terem conhecimento que existe uma escolha: seguir o Ramadã agora ou adiá-lo até o fim da copa.


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