Álbuns que você deveria conhecer: Grace – Jeff Buckley

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Quantos músicos você pode falar que são verdadeiramente únicos? Que não soam como ninguém e que ninguém soa como ele?

Jeff Buckley tem uma voz espetacular, que é como observar uma ave sobrevoando uma falésia; um salmão nadando cachoeira acima. É uma bela expressão de vida. É singular, cheia de tristeza e todo outro tipo de emoção.

Mas quem sou eu para falar algo assim? Ouçam de alguém com apenas um pouco mais de credibilidade.

Quando (Robert) Plant e eu vimos ele tocando na Austrália, ficamos assustados. Foi realmente tocante.

Em outra entrevista, Jimmy Page também afirmou que: “tecnicamente, ele foi o melhor cantor que apareceu em, provavelmente – e não estou sendo muito liberal sobre isso –, duas décadas”.

A revista Rolling Stones também não deixa para menos. Jeff Buckley foi considerado o 39º melhor vocalista da história, estando à frente de nomes como Kurt Cobain, Jim Morrison, Christina Aguilera, Luther Vandross e Gladys Knight, Axl Rose, Steve Perry e Steven Tyler.

Jeff faz parte de um seleto grupo de excelentes músicos que morreram antes dos 30 – tudo bem, ele morreu com exatamente 30 anos, mas estou tentando pintar um quadro aqui. Esse grupo contém artistas como Kurt Cobain, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Brian Jones e Amy Winehouse (todos morreram com 27 anos).

Sua curta passagem, contudo, foi mais do que o suficiente para deixar uma marca na história – embora não sejam muitas as pessoas que o conheçam. E eu fico constantemente surpreso por isso, de as pessoas não saberem sobre ele, e, ao mesmo tempo, há algo muito, muito bonito sobre isso.

Jeff Buckley deixou apenas um CD de estúdio enquanto vivo, embora tenham sido muitos os álbuns ao vivo: Live at Sin-é, Live from the Bataclan, Mystery White Boy,Live À L’Olympia. Abordaremos suas performances ao vivo em outro post.

Jeff Buckley
Seja o melhor. Sem negatividade. Sem fraqueza. Sem consentimento ao medo ou desastre. Sem erros de ignorância. Sem evasão da realidade.
O álbum Grace chegou às lojas em agosto de 1994, e foi imediatamente aclamado pela crítica e por um rol de artistas de alto nível como Paul McCartney, David Bowie, Bob Dylan, Chris Cornell, Bono Vox, Jimmy Page e Robert Plant.

Este álbum influenciou grandes nomes da década de 90 e da atualidade, como Radiohead, Muse, Coldplay, Travis, Jamie Cullum, Incubus, John Mayer, entre outros.

Jimmy Page considerou esse álbum o melhor da década de 90.

Jeff Buckley é uma gota cristalina num oceano de ruídos – Bono Vox, U2.

Jeff Buckley é um dos melhores compositores da década – Bob Dylan.

Grace é um álbum que eu levaria comigo para uma ilha deserta – David Bowie.

Colocar antes de Mojo Pin

Mojo Pin

Por experiência própria, sei que não tem a mínima graça ouvir as versões gravadas uma vez tendo ouvido as mesmas ao vivo. Sinta-se livre para procurar as versões originais, mas recomendo vê-lo ao vivo. É uma experiência única.

Jeff Buckley disse que essa música era sobre um sonho. Em meio a inúmeras imagens bizarras, a letra transmite uma ideia de vício, tanto a drogas como a uma pessoa. Nas palavras do próprio Jeff: “às vezes se alguém que você sente que precisa, todo o universo lhe diz que você precisa ter esse alguém; você começa a assistir seu programa de televisão favorito todas as noites, começa a comprar coisas que ela precisa, começa a beber suas bebidas favoritas, começa a fumar seus cigarros ruins, começa a perceber nuances em sua voz, você começa a dormir em segurança nos lugares mais perigosos… isso é chamado Mojo Pin.”

Grace

A letra é inspirada na despedida de Jeff à sua namorada no aeroporto, em um dia chuvoso. Nas palavras dele: “é sobre não se sentir tão mal sobre sua própria mortalidade quando você sente o amor verdadeiro”.

P.S: Duvido alguém encontrar, no vasto infinito do Youtube, alguém que consiga imitar o grand finale da música.

Last Goodbye

Lilac Wine

É um cover; e, nas palavras de Jeff, um cover da versão de Nina Simone, pois “é a única que importa”.

A letra forma uma narrativa na qual o narrador reconta sua mágoa ao perder sua amante e a busca por consolo no vinho. A música se foca no delicioso esquecimento provocado por ficar intoxicado por vinho. Jeff Buckley canta de uma forma embrigada, como o narrador se sente ao narrar a história.

So Real

Hallelujah

Chegamos ao coração do álbum. Ah, sim. Hallelujah…

Leonard Cohen compôs essa música em 1984, mas, enquanto ele lamenta a versão original com um murmúrio, Jeff Buckley trata a música como uma pequena cápsula de humanidade, usando sua voz para deslocar a música entre glória e tristeza, beleza e dor.

A versão de Hallelujah de Buckley é considerada sua melhor música e uma das melhores canções de todos os tempos pela revista Time, além de ter sido incluída na lista das 500 melhores músicas de todos os tempos, da revista Rolling Stones – na posição 264.

John Legend considera a versão de Buckley “tão perfeita como pode ser. A letra de Hallelujah é simplesmente incrível e a melodia, espetacular, e então temos a interpretação de Jeff Buckley. É uma das músicas mais bonitas que já ouvi na vida.”

Nas palavras de Jeff: “qualquer um que ouça atentamente a música irá descobrir que a música é sobre sexo, sobre amor, sobre a vida na terra. Hallelujah não é uma homenagem a uma pessoa, a um ídolo ou a um deus, mas ao orgasmo. É uma ode à vida e ao amor”.

Lover, you should’ve come over

Inspirada no fim do relacionamento entre ele e Rebecca Moore, dizendo respeito ao desânimo e desespero de um jovem envelhecendo, percebendo que suas ações representam a perspectiva de que ele sente que deveria ter superado isso.

É um espetáculo, mostrando o que sua voz tem de mais espetacular. É doce uma ruminação sobre a perda de um amor, cantado em uma bela melancolia.

Corpus Christi Carol

É um conto de fadas sobre um falcão que leva a amada de um cantor a um jardim. O cantor sai a procura dela e chega a um quarto onde sua amada está deitada próxima a um cavaleiro morto e a tumba com o corpo de Cristo.

Eternal Life

Acredita-se que foi influenciada por um antigo amor pelo Led Zeppelin e uma vontade de imitar suas músicas. A faixa é uma exceção no álbum, com traços de agressividade na guitarra em overdrive que contrastam com as outras músicas, mais íntimas e suaves, que são a verdadeira característica do álbum.

Nas palavras de Jeff: “essa é uma música furiosa. A vida é muito curta e muito complicada para pessoas atrás das mesas e atrás de máscaras arruinarem a vida das outras pessoas com base em seu salário, sua cor, classe, crenças religiosas”.

Dream Brother

Foi escrita como um estímulo para que seu amigo não abandonasse sua namorada grávida, do mesmo modo que o próprio pai de Jeff, Tim Buckley, fez.

Isso é evidente nos versos:

“Don’t be like the one who made me so old
Don’t be like the one who left behind his name
‘Cause they’re waiting for you like I waited for mine
And nobody ever came.”


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  • Homenagem merecidíssima! (também muitos bons os lives escolhidos pra ilustrar =])

  • Cristiana

    Muito bom o texto! Só agora descobri Jeff Buckley e estou encantada! Como não tinha escutado essa voz antes?!!!!

    • Ele é realmente fantástico! Felizmente, é um artista que está fora do alcance do grande público, e, talvez por isso, seja tão fantástico.

      Fico feliz que tenha gostado!

  • Patrícia

    Lendo o texto, senti falta de uma música sensacional dele: “Forget her”, uma vez que você disse que o único álbum de estúdio dele era o Grace. Foi até você que me mostrou. <3 Acabei descobrindo na Wikipedia (hehe) que ela foi gravada para este álbum Grace, mas só foi oficialmente lançada numa reedição do álbum em 2004!