Renovação?

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Na quinta-feira, 17 de Julho, a CBF anunciou Gilmar Rinaldi como novo Coordenador de Seleções. Desempenhará função semelhante à de Andrés Sanchez em 2012, gerenciando o trabalho feito desde às divisões de base até a seleção principal.

Ontem, 22 de Julho, foi anunciada sua primeira decisão, tomada em conjunto com o presidente da CBF, José Maria Marin, e com o futuro presidente, Marco Polo Del Nero. Dunga está de volta à seleção brasileira, comandando a equipe principal com a missão de levar o Brasil ao topo na Copa do Mundo da Rússia, em 2018.

A Confederação Brasileira de Futebol parece sofrer mais com a ressaca da Copa do que a imprensa ou a torcida. Em meio a discursos de análise do trabalho realizado no exterior e renovação no futebol brasileiro, ela dá passos para trás.

A dupla, que esteve junta na prata em Los Angeles, nas Olimpíadas de 84, e mais uma vez nos Estados Unidos, no título mundial de 94, é no mínimo controversa. Gilmar, que colecionou três títulos brasileiros como goleiro, atuou como “Agente Fifa” até a véspera do anúncio de seu novo cargo. Foi empresário de muitos jogadores, com destaque para o sempre polêmico Adriano “Imperador”.

Assumindo a função de Coordenador de Seleções, ainda que sob a ressalva de não ser mais Agente Fifa, e ter repassado todos os seus vínculos com jogadores, naturalmente não perderá do dia para a noite todos os seus contatos. Com papel gerencial sobre todas as seleções, tem em mãos enormes oportunidades de negócios – desde o time principal às eventuais promessas da base – que só poderão ocorrer não oficialmente (o que não seria uma surpresa em terras tupiniquins).

Dunga, por sua vez, recebe a nova chance como treinador, sem grande acúmulo de experiência no período em que ficou fora. Da passagem de 2006 a 2010, seu primeiro trabalho como técnico, seguiu-se um hiato até 2013, terminado por curta passagem pelo Internacional, onde conquistou um campeonato gaúcho e teve mal desempenho no Campeonato Brasileiro.

A incógnita quanto ao seu desempenho é do mesmo tamanho do tempo de sua primeira oportunidade. Apesar dos bons números – títulos da Copa América em 2007, da Copa das Confederações em 2009, e bronze nas Olimpíadas de Pequim, em 2008 – o futebol apresentado nunca foi condizente com o esperado da Amarelinha.

É verdade que ambos podem vir a ter bom desempenho nesse trabalho, e que, mesmo que não o tenham, os resultados não têm relação direta com a estrutura do futebol jogado no país. Fomos campeões algumas vezes com times primordialmente “europeus”. Mas as decisões da CBF mostram a filosofia da entidade, e ela preocupa.

A escolha de Dunga representa um retrocesso, não uma renovação. Apoiar a escolha nos resultados obtidos outrora (como foi com Felipão) demonstra estagnação em princípios de jogo que finalmente percebemos não serem os nossos. Essa camisa não pode viver só de resultados.

Se é dessa forma que a seleção brasileira, o ninho dos ovos de ouro da CBF, é tratada, o que pensar dos rumos do nosso futebol? Resultados à parte, ou não, tempos difíceis estão por vir.


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Yann Rodrigues
Editor, também escreve em

Apaixonado por entender narrativas. Das histórias que nos encantam em páginas e telas, às narrativas que nos guiam ou aprisionam na vida.