Artistas que você deveria conhecer – Anathema – Parte 1

Tempo médio de leitura: 5 minutos

Anathema é uma banda britânica que experimentou alguns rótulos musicais, começando, nos anos 90, com death/doom metal (calma, não vá embora; eles pararam com isso), passando pelo rock alternativo, e chegando, enfim, ao que eu amo hoje em dia, rock progressivo e rock sinfônico.

Se você gosta de um belo vocal (tanto masculino quanto feminino) sem grandes enfeites, com arranjos harmônicos excepcionais e uma energia formidável, você está no lugar certo. Essa banda, por falta de melhores palavras para defini-la, é mágica.

Como eu disse aqui e aqui, gosto de mostrar as versões ao vivo das músicas, porque isso deixa claro a qualidade (ou falta dela) nas bandas. Neste caso, usei basicamente um show ao vivo, porque a qualidade é surpreendente. Tudo bem que é um DVD, mas é um puta DVD, com direito a orquestra e fogos de artifício.

Vou começar por esse DVD apenas, depois irei mostrar outras músicas, de outros shows. Ou, em duas exceções, as versão originais dos CD’s.

Mas antes… A primeira exceção.

Are You There – Álbum “Hindsight”, 2008

Um violão, uma voz espetacular, um simples e belo arranjo. Poderia ser só mais uma música, mas não é. É uma mágica. É uma viagem. É uma jornada para dentro de si mesmo, uma viagem de auto-descoberta.

O que estou prestes a falar não é brincadeira. Eu ouvi essa música mais de 500 vezes. Juro. Façam a matemática.

Essa seria a música que eu levaria para uma ilha deserta. Essa será a música que tocaria no meu enterro. Essa será a música que tocaria no meu casamento.

Agora que deixei claro que gosto da música, vamos passar para o restante.

Untoucheable – Álbum “Weather Systems”, 2012

É uma música em duas, ou duas músicas em uma. Você decide.

Como na maioria das músicas compostas por duas músicas, a primeira costuma ser mais agitada, com bateria contrapondo o violão dedilhado e passagens absolutamente mágicas do vocalista Vicent Cavanagh, que mostra não apenas sua paixão ao cantar, mas sua técnica impecável. Na segunda, há um dueto em estilo balada, guiado pelo piano.

Flying – Álbum “Hindsight”, 2008

Uma das versões mais tocantes de uma música no Youtube; decididamente a melhor versão dessa música. Emoção e beleza pura que se sentem no fundo do coração. Incrível como a música desconhece limites e quebra todas as barreiras linguísticas, não importando de que parte do mundo você é.

Música não foi feita para se ganhar dinheiro; música foi feita para se expressar sentimentos, e senti-los. Essa banda pode nunca vir a ser um sucesso comercial, e que bom que assim seja. Que continuem com músicas maravilhosas como essa e as que virão a seguir.

Internal Landscapes – Álbum “Weather Systems”, 2012

Essa música é linda, é mágica, é transcendental. Você pode pular a parte falada aqui (que traduzirei abaixo, se te interessar).

Eu gosto de interpretar essa música sob a ótica do Espiritismo, mais especificamente, da psicografia. É basicamente um homem falando sobre sua experiência de morte, o que ele sentiu, o que ele viu. É interessante.

Abaixo, a tradução livre do trecho falado:

E eu me senti indo. Eu estava com muita dor. Foi uma experiência muito assustadora. Eu apenas me senti indo, e eu me lembro de tentar me segurar “eu vou ficar bem, eu vou ficar bem” e chegou um ponto no qual eu simplesmente não pude. E tudo começou a ficar muito quieto, e eu consigo me lembrar com toda força que eu tinha que eu queria me despedir de minha esposa. Era importante para mim. E eu consegui; eu me lembro de virar minha cabeça e olhar para ela e dizer: “Eu vou morrer. Adeus Joan”, e eu morri… Foi quando eu vivenciei… vivenciei o que chamamos de experiência de quase morte; para mim não houve nada de quase, estava lá. Foi uma completa imersão na luz, no brilho, calor, paz, segurança. Eu não tive uma experiência fora do meu corpo, eu não vi meu corpo ou ninguém perto de mim… Eu simples e imediatamente fui em direção a essa bela luz. É difícil descrever, na verdade é impossível descrever; verbalmente não pode ser expresso. É algo que se transforma em você e você se transforma nisso. Eu posso dizer que eu era a paz, eu era o amor, eu era a luz, era parte de mim.

Fragile Dreams – Álbum “Hindsight”, 2008

O vocalista passa quase dois minutos apresentando os músicos da orquestra. Pule para o início aqui.

Essa música, apesar de toda sua simplicidade, é brilhantemente executada com a orquestra, principalmente no final, com o “dueto” entre a guitarra e os violinos. Lindo, lindo, lindo.

Natural Disaster – Álbum “Hindsight”, 2008

Uma música sobre o fim de um relacionamento cantada em dueto, por um homem e uma mulher. Que criatividade. Embora seja o maior clichê da música, ainda possui a sua mágica. Essa música, principalmente.

Lightning Song – Álbum “Weather Systems”, 2012

Dreaming Light – Álbum “We’re Here Because We’re Here”, 2010

Thin Air – Álbum “We’re Here Because We’re Here”, 2010

One Last Goodbye – Álbum “Hindsight”, 2008

Essa música evoca um sentimento de perda, de uma perda tão dolorosa que uma música se fez necessária para aliviá-la. O próprio vocalista, em um show, disse que: “essa próxima música é dedicada a uma pessoa que eu realmente amava e que faleceu… Mas ela pode ser também dedicada a uma pessoa que você ama e perdeu, e não por sua vontade.”

Deep – Álbum “Judgment”, 1999

Uma do velho Anathema. Calma, calma. Não é tão velho que recai no rótulo de death/doom metal que mencionei lá em cima. É rock alternativo. É uma boa música, que mostra que tinham talento até mesmo quando não tinha verdadeiramente talento. Fez sentido?

Por último, a segunda exceção.

The Last Song, Part 2 – “Distant Satellites”, 2014

Sim, eu acabei o texto com a música “The Last Song” (“A última Música”). Juro que não foi por causa do trocadilho.

Veja também a parte 2:

Artistas que você deveria conhecer – Anathema – Parte 2


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Nicholas Nogueira

Carioca, que abriu sua própria empresa para poder ter tempo de escrever e falhou miseravelmente. Uma pessoa intensa que encontrou na escrita a única forma de extravasar tudo que passa dentro de si.

  • cesar

    O Anathema sempre foi uma banda de grande talento, tanto é assim que ainda hoje os seus dois primeiros álbuns são considerados clássicos do Doom. Particularmente, considero o Eternity, o Alternative 4 e A Fine Day to Exist os seus melhores registros. Independente da direção musical escolhida, hoje é o período onde a criatividade deles parece estar mais em baixa. Impossível ouvir os últimos dois álbuns e não se entediar com a repetição de estruturas e arranjos. Tiveram até a cara de pau de “plagiar” um improviso feito sobre um solo do PInk Floyd, que está em um DVD oficial, numa canção autoral, curiosamente batizada de Anathema.