Por onde anda sua magia?

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Enquanto fico parado em meio à solidão deixada por sua partida, pergunto-me por onde anda sua magia. Para onde seus olhos, verdes como pepitas de esmeraldas, olham. Para quem seus lábios, cor de morango, doces mesmo fora de época, sorriem.

Seu cheiro ainda está impregnado em meu armário, em minhas roupas, em meus travesseiros. Também não posso deixar de me perguntar quem é o sortudo que desfruta de sua risada, que antes era uma rádio de música suave, sintonizada só para mim.

Ainda encontro seus fios de cabelo perdidos em alguns cantos; em uma gaveta, no canto do armário, em algum pijama meu. Pergunto-me se seus cabelos ainda são longos, se ainda são loiros. Pergunto-me se você ainda joga o cabelo de um ombro para o outro quando está nervosa, se procura por pontas duplas como forma de se acalmar em um momento de ansiedade e se o prende num rabo-de-cavalo antes de dormir.

Suas fotos ainda estão onde sempre estiveram. Queria que fosse você aqui, não apenas sua reprodução fotográfica; ela nunca captou sua verdadeira essência, mesmo você sendo extraordinariamente fotogênica. Ela nunca captou o modo como você inspirava enquanto respirava, encantava mesmo em seus desencantos, dizia muito em seu silêncio. Jamais uma foto mostrou como você era verão mesmo no inverno, era a poesia em um romance, era o mundo todo em meio à solidão.

Pergunto-me se você ainda se deita na grama, com os braços atrás da cabeça, e contempla o céu estrelado. Também me pergunto se você se lembra de quando fizemos isso pela primeira vez. Eu inventei os nomes mais absurdos para as constelações e você acreditou em todos eles.

Pergunto a mim mesmo se você ainda tem vontade de passar noites de sábado assistindo a comédias românticas, deixando escapar sua gargalhada histérica nos momentos mais sem graça da história do cinema.

Pergunto-me se você ainda deixa escapar um sorrisinho meigo após cada palavra sussurrada em seu ouvido. Se ainda suspira antes de dizer “eu te amo”. Pergunto-me se ainda lhe faltam palavras nos momentos em que nenhuma delas faria diferença.

Pergunto-me se você ainda possui alguma vontade de estar perto de mim, porque eu certamente preciso estar com você.

Pergunto-me, enfim, se você ainda pensa em mim antes de dormir.


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