A estrutura da Fase I – Universo Cinematográfico Marvel

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Previamente ao lançamento de Star Wars VII, publicamos aqui no AdR uma análise dos significados escondidos nas trilogias anteriores e suas relações com as visões de mundo de cada geração. Resolvemos fazer algo parecido com a estreia do filme Capitão América: Guerra Civil, lançamento da Fase 3 do Universo Cinematográfico Marvel (UCM).

A franquia já completou 7 anos de 11 previstos, lançou 12 dos 23 filmes planejados, mas pertence inteiramente a uma época. Portanto, o desafio escolhido é projetar a estrutura que permeia todo esse universo com suas 23 produções, a partir dos conceitos de storytelling que desenvolvemos por aqui.

Essa análise está mais sujeita a erros do que o normal: é como avaliar uma viagem antes de seu fim, onde o último restaurante, até o último voo, podem afetar a experiência. Ela também pode nos dar uma melhor visão do que esperar da Fase 3, que se inicia no final de Abril. Começando pela Fase 1.

Obs: essa análise não leva em conta possíveis conhecimentos prévios de quem lê as HQ’s. Até porque eu não leio.

Homem de Ferro

Homem de Ferro
Stark se acostumando, nós também. Crédito: http://s718.photobucket.com/user/universomarvel616/

Tudo começa com um sequestro à Tony Stark em “Homem de Ferro”. O incidente incitante da história e da saga que nos é exibida já nos revela a importância do personagem de Robert Downey Jr para o Universo – importância que só aumentou com o sucesso de sua interpretação. Esse primeiro filme nos dá muitas informações para análise:

  1. Accountability, que podemos traduzir como prestação de contas. O sequestro é o evento que muda a vida de Stark, mas é ver suas armas tornando o sequestro e a própria facção responsável possíveis que muda sua mente. Tente lembrar agora dos outros filmes para perceber como esse fato é crucial para o arco (o caminho) do personagem ao longo dos anos. Ele sempre estará buscando uma forma de prestar contas; nesse instante, pelos atos de sua empresa e seus próprios, até aquele momento.

As consequências do negócio Stark Industries começam a responder ao Homem de Ferro. Já a existência do Homem de Ferro também é um fator intrigante por si só, o que leva à aparição da S.H.I.E.L.D. procurando saber dessa existência. Ao final, temos Tony prestando contas sobre a própria identidade ao público, quando revela ser o Homem de Ferro em uma entrevista coletiva.

  1. Vingadores. Os boatos e notícias sobre o planejamento da Marvel para vários filmes precisava ser consolidado já na primeira oportunidade. A consolidação veio através da cena pós-créditos (outra marca da série), quando Nick Fury aparece pela primeira vez, falando sobre a iniciativa Vingadores. É essa cena também que justifica as até então estranhas aparições da S.H.I.E.L.D. ao longo do roteiro.

Como é de se esperar, o filme também deu a tônica de apresentação dos personagens/formação da equipe que percorre todo o Ato 1 do UCM.

O INCRÍVEL HULK

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Créditos: https://thejesterscorner.wordpress.com/

Talvez você pense que analisar esse filme dá preguiça. Dá mesmo. Ao menos posso assistir os outros 10 filmes sabendo que já passei por esse.

“O Incrível Hulk” foi a 2ª tentativa da década de gerar um filme solo para o gigante verde, e o 2º fracasso, ainda que eu prefira esse ao anterior. Há uma tentativa de dar um tom de continuação, passando a história de origem do personagem em flashes nos créditos iniciais para acostumar o público ao novo elenco, seguindo com um Bruce Banner isolado e em busca de cura depois de um salto temporal.

O arco de Bruce aqui, tentando alcançar uma cura enquanto foge da perseguição do general Ross, é pouco relevante. Até hoje não se estabeleceu uma construção efetiva desse personagem no Universo, mas vamos aprofundar isso adiante. O filme tem um mérito, ao menos. A cena pós-créditos mostra Tony Stark com Ross, o que nos deixa três dicas: Tony está efetivamente envolvido com a Iniciativa Vingadores (a óbvia); e Ross também tem alguma relevância nesse universo. Como assim?

Bem, como eu e você somos detalhistas e reparamos no trailer de Guerra Civil, o general Ross aparece no que deve ser uma cena envolvendo toda a ideia de prestação de contas / registro de herois junto à Tony. Então ele não era uma mera ferramenta para encontrar o Hulk, mas um aliado político no longo prazo, o que faz mais sentido se lembrarmos que a menção à Bruce Banner no “Homem de Ferro 2” é… Nula. No “3” também, mas chegaremos lá.

Ah, eu havia falado em três dicas. A terceira é a última cena antes dos créditos. O Bruce-ainda-Edward-Norton continua seu treinamento para controlar o Hulk, porém, ao contrário do início do filme em que treina para evitar o surgimento da fera, agora ele treina para dominar a transformação sendo capaz de iniciá-la. O que é uma boa alusão ao que aprenderemos sobre o Hulk em Vingadores. Claro que na época ninguém lembrou disso e só falou “Como assim?” para a frase do Bruce-Mark-Ruffalo “I’m always angry“. Segue o Ato 1.

HOMEM DE FERRO 2

Tony Stark, Homem de Ferro 2
Tony tentando entender esse filme

É provável que O Incrível Hulk carregue a estigma mais cansativa do universo Marvel até o momento, talvez competindo com Homem de Ferro 3. Essa é a grande sorte do 2º filme do gênio-playboy-filantropo-bilionário.

A sequência, surfando no grande sucesso do filme origem, cumpre o papel comercial trazendo mais (muito mais) dinheiro para a franquia. Começamos a nos acostumar com o seguinte fato: vilões não são o forte dos filmes da Marvel. Em especial os do Homem de Ferro são descartáveis, por mais que Jeff Bridges tenha feito o possível no primeiro. Então, o quê o filme entrega?

Viúva Negra – confesso que olhava a personagem com um pouco de desconfiança nesse filme, mas Natasha/Scarlett se tornou um ponto forte do UCM. A equipe que esperamos ganha a terceira integrante, e vemos a S.H.I.E.L.D. se tornando face comum em meio às histórias.

Martelo de Thor – ganhamos acesso a uma convergência – até esse momento, apenas coincidente -, incluindo Thor no universo na cena pós-créditos, especialmente para nos lembrar que esse é o próximo filme.

War Machine – mais um personagem apresentado que fará parte de batalhas futuras, e recebemos spoiler de seu futuro no trailer de Guerra Civil (sério Marvel???).

O arco de Tony fica perdido aqui. Ele encontra uma solução para o problema de saúde gerado pelo reator em seu peito, repensa um pouco a relação com seu pai, avança com Pepper. Agora reflita, quais desses itens são relevantes para o filme Vingadores e as sequências? Exato. Exceto dar um pouco mais de tempo de tela para a S.H.I.E.L.D., é uma história sem grandes avanços. Tentei cavar mais coisas nesse filme, juro.

THOR

Thor e o martelo
A importância dessa cena é menosprezada

Os filmes de Thor são extremamente importantes para essa análise, afinal, até Guardiões da Galáxia, são as únicas lentes que temos para fora da Terra. São filmes um pouco menosprezados a meu ver, então vamos à caça do que este nos revela sobre a estrutura da história.

As produções solo do Ato 1 do UCM (também chamado de Fase 1) sempre cumprem dois propósitos: a origem do personagem e seu chamado ao time dos Vingadores (easter egg aqui: já ouviu falar em Jornada do Herói? Esse seria o chamado à aventura), o que dá a todos os personagens dois incidentes incitantes de certa forma.

O primeiro tende a ser a própria origem do mesmo: o do Homem de Ferro é o sequestro, o do Hulk é o experimento com raios gama. Esse incidente existe no contexto do filme isolado. O segundo incidente seria a primeira interação com a Iniciativa Vingadores; sua importância não está no contexto do filme solo, mas no todo do personagem dentro do UCM: no caso de Tony Stark, temos um relance com Coulson, mas só há uma virada de fato com a cena pós-créditos em que Nick Fury aparece e apresenta a S.H.I.E.L.D.. Para o Hulk, isso só ocorrerá dentro do próprio filme dos Vingadores.

Para Thor, não é diferente. O filme começa mostrando sua queda para a Terra, o que sabemos ser um evento de importância, porém, ainda não temos informações sobre seu estado anterior. Portanto, não sabemos se essa queda é o que tirou o deus asgardiano de seu equilíbrio. Seguindo o Ato 1 do filme, entendemos a necessidade do personagem – ser reconhecido como Rei, seu lugar de direito – expectativa quebrada com a chegada de inimigos (os seres de Jotunheim) tentando roubar uma relíquia de Asgard.

Aqui está o incidente incitante do filme isolado, pois a estabilidade levava Thor a se tornar rei, e essa linha foi quebrada. O longa é considerado apenas médio na crítica geral, talvez o mais fraco dos filmes origem do UCM até o momento (com exceção de Hulk), contudo, não se pode acusar o protagonista de falta de personalidade. Ainda que Loki seja essencial para o andar do enredo, as decisões de Thor são pontos-chaves para a história, como acontece após o incidente, em que invade Jotunheim. Sua intempestividade e até falta de humildade levam Odin a mudar de escolha – de futuro rei, Thor passa a exilado, banido para a Terra sem poderes e seu martelo Mjolnir.

O banimento de Thor é tanto o clímax no Ato 1 do filme como seu incidente incitante no universo Marvel. Sem essa escolha, sua vida poderia tomar inúmeros rumos sem nunca pisar na Terra, conhecer Jane e a S.H.I.E.L.D., e com isso se tornar um elemento dos Vingadores.

Além do quarto integrante da equipe, conhecemos o quinto rapidamente (o Gavião Arqueiro), Dr. Selvig – peça importante no futuro próximo (que para nós já é passado) – é apresentado, e claro, Loki. Tom Hiddleston é ainda o vilão de maior destaque do UCM, o que não deixa de ser um mérito do filme.

Antes de voltarmos à Terra, Thor nos revela que o contexto espacial do UCM envolve relíquias: a sala de Asgard que guarda o tesouro de Jotunheim tem outras relíquias e um guardião; esses objetos guardam poderes inimagináveis, e um deles, ainda despercebido, é uma manopla de ouro; na cena pós-créditos, vemos um novo tesouro, ainda desconhecido, que a S.H.I.E.L.D. deseja estudar e Loki, bem, deseja. É a primeira pista que temos sobre as Gemas do Infinito.

Manopla de Ouro
A Manopla de Ouro em Asgard

CAPITÃO AMÉRICA – O PRIMEIRO VINGADOR

Cpitão América O Primeiro Vingador
Quem precisa de um escudo de Vibranium?

E se recebemos uma pista sobre as Gemas do Infinito, o cubo especificamente, é porque esse elemento apareceria de alguma forma no próximo longa. Aprendemos sobre o Tesseract e fomos mais inseridos ao contexto de buscas por tesouros alienígenas com o Capitão América.

Conhecemos o herói, mergulhamos no contexto pré-criação da S.H.I.E.L.D. e sua arqui-inimiga Hydra e temos uma rica visão sobre o passado. Steve Rogers é um bom personagem, a segunda melhor apresentação dos heróis na sequência de filmes de origem, o que fornecia a primeira dica da Marvel para o plano de reproduzir a Guerra Civil.

Outro ponto importante que cerca o Capitão América é a relevância de seus coadjuvantes e dos elementos que aparecem nos filmes. Caveira Vermelha é o fundador da Hydra, que tem braços em todo o UCM, o mais próximo de relevância de Loki entre os vilões até o momento. A agente Carter, além de amor do capitão, é uma badass e se torna cofundadora da S.H.I.E.L.D. posteriormente (com direito à série própria). Howard Stark é outro dos cofundadores, e seu sobrenome já demonstra sua relevância. Por último, o melhor amigo Bucky Barnes, sargento envolvido na guerra, se tornará peça fundamental no caminho do Capitão.

O incidente incitante do filme está no encontro com o Dr. Erskine, que permite à Steve a sonhada chance no exército. Todo o filme, no entanto, apesar do título, se passa longe de um contexto da Iniciativa Vingadores. O incidente do América no contexto do UCM é ser achado congelado, 70 anos após a vitória sobre o Caveira Vermelha.

Na vitória, mais precisamente na luta, vemos o Tesseract abrir uma visão estranha do espaço. Essa cena está dizendo que o cubo é uma forma de portal, o que veríamos no filme seguinte.

VINGADORES

Vingadores Shawarma
Cansado?

Antes de analisar o filme definidor da Fase 1, vamos ver o arco dos personagens principais até aqui:

Tony Stark: sua decepção com o legado que estava deixando através de armas o leva a uma busca de limpar esse legado, com transparência e prestação de contas. Seu individualismo permanece destacado, no entanto.

Bruce Banner: até aqui só sabemos que Banner desejava uma cura, o que não é surpreendente, e vendo a inviabilidade de sua busca, muda o foco de impedir o surgimento de Hulk para dominar quando/como o gatilho ocorre.

Thor: destinado a ser rei de Asgard, mergulha em arrogância até suas decisões o levarem ao fundo do poço, sem poderes e sem seu martelo. Aos poucos aprende a valorizar a paz, as outras vidas, e desenvolve qualidades dignas de um rei. Passa a acreditar em proteger antes de guerrear.

Steve Rogers: o “fracassado” entre os heróis, em sua origem, tem em sua fraqueza aparente pelo físico o compasso moral. Deseja aplicar isso na causa que acredita, em nome do país na Segunda Guerra. Evolui de alguém inutilizado para uma liderança.

Ainda não há muito como avaliar a Viúva Negra e o Gavião Arqueiro.

O filme começa numa rápida exposição de alguns seres no espaço formando um plano. Da exposição segue o incidente incitante do filme, Loki roubando o Tesseract que estava sob poder da S.H.I.E.L.D. Primeiro, vemos que Loki deve ter alguma relação com essa cena espacial, o que ajuda a explicar sua sobrevivência após a queda de Asgard.

O roubo do cubo é essencial pois é o evento que justifica todo o trabalho da Fase 1. Apresentações e desenvolvimentos feitos, todos rumo à formação de uma equipe, os Vingadores. Sem esse desequilíbrio causado, continuaríamos chupando dedo esperando. Segue o recrutamento, respondendo aos chamados à cada herói feitos ao longo dos filmes anteriores ou no início deste, caso do Hulk. O clímax do Ato 1 acontece com o ataque de Loki na Alemanha. A primeira luta em equipe, a chegada de Thor para completar o quadro (com exceção do Gavião Arqueiro, controlado por Loki).

Então batalhas para o Ato 2, batalha final para o Ato 3 do filme. Não há muito o que questionar na estrutura macro, então vejamos detalhes do que evolui com o filme.

Stark tinha a prestação de contas em seu arco, e esse motivador permanece forte, dessa vez gerando a ação de hackear os segredos escondidos pela S.H.I.E.L.D. Steve tentava se adaptar a um mundo novo e, apesar de sua capacidade de liderança, mantinha o espírito do soldado que deve obedecer ordens.

Essas diferentes buscas, além das personalidades, encadeiam o conflito inevitável entre os dois, a primeira faísca rumo à Guerra Civil. Há uma curiosidade, no entanto. O Capitão América pisa no calo da individualidade de Stark, que termina o filme se sacrificando para salvar Nova York da ogiva nuclear. O Homem de Ferro pisa no calo da obediência irrestrita de Steve, plantando as sementes de questionamento do mesmo em relação à S.H.I.E.L.D., que encontra os planos de armas de Nick Fury. Essa capacidade de questionamento evolui sua liderança. Os dois personagens conflitantes acabam ajudando no crescimento um do outro, o que pode ser uma dica sobre o fim do filme Guerra Civil.

A suspeita contra a organização secreta, compartilhada pelos dois e por Bruce Banner, levanta também o questionamento político do filme. Repare como o modus operandi de Fury com o Tesseract (na verdade, do Conselho) é semelhante ao do Caveira Vermelha e da Hydra no primeiro Capitão América. Ambos usando um poder maior para produzir armas, ainda que com discursos de uso diferentes.

Nick Fury e cara da Hydra de Agents
Conselho Mundial de Segurança com um vilão da 3ª temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. (ao lado direito de Fury)

Thor deixa de viver conflitos internos após a passagem do primeiro filme. A convicção moral do asgardiano se torna tão forte que uma coisa curiosa acontece. Somando seus filmes até aqui, ele não matou qualquer ser humano. O mesmo não pode ser dito do Homem de Ferro, do Capitão América, de Hulk, do Gavião Arqueiro e Viúva Negra. O príncipe de Asgard acaba sendo o mais nobre dos heróis pelas ações.

Suas aparições continuam funcionando como a lente para algo além da Terra, além das cenas de diálogo de Loki. O mais interessante talvez seja o primeiro diálogo direto entre os dois no filme.

Loki: Eu vi o verdadeiro poder do Tesseract, e quando eu dominá-lo…

Thor: Quem te mostrou esse poder?

Thanos.

Um pouco mais passa a ser visto com o Hulk do excelente Mark Rufallo. Além de ser responsável por muitos dos alívios cômicos da batalha final, o filme passa algum tempo questionando o personagem sobre seu adquirido controle. Uma pergunta não deixa de ficar no ar, feita por Stark. Ele se aceita? Algo de bom pode vir da existência do Hulk, como salvar a vida de Banner no próprio experimento dos raios gama? Nessa pergunta o arco dele ganha força, pois sua tentativa de cura estava relacionada a não conseguir se aceitar nessa condição – isso poderia ser óbvio antes como conclusão, contudo, não era enquanto construção das histórias. O arco é estar em paz com ser Hulk.

Fora os personagens, o cetro de Loki (presente recebido por ele na primeira cena do longa) é a segunda gema do infinito que conhecemos, ainda sem saber. Nessa, está contido o poder da mente, a segunda aparição de uma das joias.

Agora conseguimos dizer que Thanos continha ao menos uma gema, provavelmente apenas ela. O Tesseract estava na Terra, e outras duas se revelarão na Fase 2.

O fim da Fase 1, bem como do Ato 1 do UCM, nos deixa com um universo ligeiramente estável pela vitória na batalha de Nova York, mas em contexto completamente diferente do início. Super-heróis e vigilantes agora são uma realidade exposta, além da vida alienígena. O mundo não é mais o mesmo, como não poderia ser. Essa avaliação será importante para compararmos com o fim da Fase 2. No entanto, chega, comparamos no próximo texto, que você pode ler abaixo:

A estrutura da Fase II – Universo Cinematográfico Marvel


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