A estrutura da Fase II – Universo Cinematográfico Marvel

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Retornando agora para a Marvel Fase 2. O universo está estabelecido, então chega o tempo na estrutura das histórias da Confrontação. Conflitos atrás de conflitos devem nos levar durante o Ato 2. Nesse texto vamos ficar atentos a um conceito. A Fase 1 do UCM coincide com o Ato 1 da estrutura. Será que o mesmo ocorre agora na Fase 2?

Nota do editor: o texto sobre a Fase 1 pode ser visto aqui:

A estrutura da Fase I – Universo Cinematográfico Marvel

HOMEM DE FERRO 3

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Eu e meu parça assistindo Homem de Ferro 3.

Eu gostaria de ignorar esse filme, mas fui vê-lo. Não o acho mais chato do que O Incrível Hulk, porém, o terceiro filme solo de Tony Stark tem um problema mais grave. É o filme mais irrelevante do UCM até o momento.

Após a invasão Chitauri de Vingadores, o protagonista sofre uma espécie de PTSD (estresse pós-traumático). A premissa é justa; alguém obcecado por conhecimento de repente encara uma realidade absurda – encontros com deuses de Asgard, uma guerra contra alienígenas e salvar uma cidade de uma ogiva nuclear devem ser eventos suficientes para gerar um transtorno.

Para que serve essa condição na construção de Tony, no entanto? Antes do filme, ele não estava perto de alguma situação mental, que foi estabelecida apenas no início do mesmo. Após o filme, ele não parece continuar com alguma condição traumática.

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Sem dúvidas a melhor armadura de Tony.

É possível argumentar que em Vingadores 2, esse estado psicológico se torna base para ser afetado pela Feiticeira Escarlate e criar Ultron. Agora, seja sincero; você especulou isso antes de ler essa frase? Ultron já estava em processo de criação antes da Feiticeira, então por que não especular o vilão ainda aqui, no final de Homem de Ferro 3? Criar já a conexão do estresse pós-traumático com a super inteligência artificial? Uma simples alteração para tornar o filme talvez divertido, engraçado, em útil, e elevar bastante seu poder no universo.

Quanto ao vilão, estragaram o Mandarin, é verdade, que parecia ser o melhor vilão dos três filmes do homem de “lata” até o dispensável plot-twist. Ao menos o Extremis proporcionou antagonistas com poderes diferentes do herói. Esse é um dos grandes problemas do UCM, a supremacia dos vilões é uma cópia do herói de alguma forma. Homem de Ferro 1 e 2, O Incrível Hulk, Capitão América 1 e 2 e Homem Formiga. Esse problema acontece com a DC no cinema também, onde os dois últimos filmes envolvendo o superhomem contém similares dele como vilões. Como exemplo de que dá para ser diferente, apenas um de seis vilões de todos os filmes do Homem Aranha desde 2002 seguem essa característica.

THOR: O MUNDO SOMBRIO

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Baile de Asgard

O segundo filme solo de Thor é bem mais importante para o UCM do que Homem de Ferro 3. Ainda assim, recebe até mais críticas, pelo simples fato de ser… chato. Não é ser sério o verdadeiro problema, como mostraram os filmes do Batman de Cristopher Nolan ou as séries da Marvel para Netflix. Mas esse tipo de narrativa requer uma profundidade que falta a esse filme. Lembrando da evolução que vimos em Thor no texto da Fase 1, fica a pergunta: que evolução ocorre agora?

Thor se tornou o exemplo da solidez moral, matando qualquer possibilidade de conflito interno, o que faz o personagem raso, ainda que seja capaz de um alívio cômico por vezes. A mesma falta de profundidade reside no vilão Malekith, tornando o longa um clichê de luta entre arquétipos, bem x mal.

Malekith, aliás, desafia um pouco o senso. Ele é líder de um povo mítico, que precede a existência do próprio Universo. Cria o éter, que descobriremos ser uma das gemas do infinito, capaz de devolver o Universo à escuridão de antes do início dos tempos. Quão poderoso um cara assim pode ser? Talvez até imortal, de tão antigo. Então ele morre quando a nave de seu povo cai em cima dele?

Não que seja uma nave leve, ok, mas quanto poder esse cara deveria ter para criar algo como o éter? Uma relíquia indestrutiva! Depois, dois guerreiros de Asgard capturam o éter, e levam para um personagem ainda desconhecido, o Colecionador, na cena pós-créditos. Será que viram Malekith no caminho? Registraram um atestado de óbito?

O produto mais interessante da produção acaba sendo uma teoria que circula na internet. Ao final do filme, recebemos a surpresa de Loki sentado no trono. Resgatando a Fase 1, essa era a busca de Loki no primeiro filme de Thor, que depois parece se contentar com a busca de um trono na Terra. Agora, sem desmerecer os Vingadores, por que Thanos, em sua parceria com Loki, desperdiçaria uma gema do infinito (o cetro), para capturar outra gema (o Tesseract), enviando apenas aquele exército? E o sorriso ao final de Vingadores?

A teoria segue pensando então que esse devia ser o plano o tempo todo. Não conquistar a Terra, mas levar Loki ao trono de Asgard. É certo que o cetro ficou na Terra, então essa parte pode ter falhado, mas perceba como o Tesseract foi para Asgard – que agora é comandada por Loki de alguma forma. No mesmo local há uma das manoplas de ouro, como vimos no texto da Fase 1. O poder de Loki no trono de Asgard é bem maior do que seria reinando o que fosse na Terra, e de quebra ainda conseguem o éter no final. A decisão de mandá-lo para o Colecionador pode ser para não levantar suspeitas – tantas joias em Asgard -, e provavelmente Thanos tem seus planos quanto ao Colecionador.

Bom, chega de um filme um pouco perdido, vamos para um que sabe o que quer.

CAPITÃO AMÉRICA: O SOLDADO INVERNAL

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Aquela imagem para dar teorias aos fãs

Chegamos àquele que é, sem dúvidas, o melhor filme solo do UCM até o momento e que concorre até ao posto geral. O Soldado Invernal consegue equilibrar momentos engraçados com profundidade, evolução de personagens, questionamento político e avanço do UCM como um todo.

Falando de Vingadores, tratamos a semelhança no objetivo e no método da S.H.I.E.L.D. e da Hydra com o Tesseract. Aqui descobrimos o porquê. A Hydra dominava a S.H.I.E.L.D. das sombras praticamente desde seu início. Não à toa a imagem de um dos líderes da Hydra, revelado na 3a temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. no Conselho Mundial de Segurança, que aparece no texto anterior.

Rogers mostra o crescimento iniciado no filme da equipe desde o princípio, questionando detalhes da operação que gera o incidente incitante e insatisfeito com o trabalho que tem feito para Fury. O incidente ocorre quando vê Natasha fazendo uma parte da missão sobre a qual não tinha conhecimento. A partir dele virá a decisão de questionar Fury diretamente e descobrir sobre o Projeto Insight.

O projeto traz à tona a outra evolução de Steve. Enquanto um soldado na Segunda Guerra Mundial, ele estava satisfeito com o discurso propaganda de defesa da liberdade contra os nazistas. Agora, em um mundo mais complexo, essa visão ganha força política se posicionando contra o projeto. Essa visão de liberdade deve sustentar boa parte da relação com Buck e ruptura com Stark na Guerra Civil.

Somos apresentados a um novo integrante do que podemos chamar como “Novos Vingadores” dentro do contexto do UCM, Falcão ou Sam Wilson. A história e o perfil dados para o personagem criam uma boa conexão com o Capitão América, fortalecendo o filme.

Também vemos uma maior construção de Natasha. Até Vingadores, aprendemos sobre sua relação com um passado tenebroso, do qual quer se livrar, mas fica tudo na exposição de seus diálogos. Aqui, vemos a personagem se relacionar com esse fato, tomando decisões que podem prejudicá-la em nome de uma causa em que passa a acreditar, como ao expor muitos segredos da S.H.I.E.L.D..

E temos Buck. O Soldado Invernal é o antagonista do filme, ainda que não seja vilão em sua personalidade. É uma rara adição de bons antagonistas nos filmes da Marvel, com uma construção que elimina pontas aparentemente soltas do filme do Primeiro Vingador (a cena de resgate em que Steve encontra Buck em uma maca ganha justificativa, ele já sofria experimentos do Dr. Zola). Além disso, já sabemos que ele é um dos motores da Guerra Civil.

Revendo o filme, reparei em um easter egg que já deve estar espalhado há tempos na internet, mas como não procurei esse tipo de extras por aí, fica como prêmio. Na cena em que Steve, Natasha e Wilson questionam o agente da Hydra Sitwell, este explica que o Projeto Insight visava eliminar qualquer pessoa que pudesse entrar no caminho da organização.

“Bruce Banner, Stephen Strange, qualquer pessoa que seja uma ameaça à Hydra.” – Marvel incluindo o Doutor Estranho sem qualquer justificativa aparente.

Por último, uma especulação. Rumlow, o agente do time Strike (comandado pelo Capitão América), mas, na verdade, parte da Hydra, morreria soterrado e carbonizado pelo porta-aviões caindo sobre o prédio da S.H.I.E.L.D. Então, no final do filme ele é mostrado recebendo cuidados médicos. Um possível vilão em Guerra Civil?

GUARDIÕES DA GALÁXIA

Guardiões da Galáxia
Como a nave de Yondu tinha uniformes sob medida para eles?

Um mérito deve ser dado à Marvel pela coragem de introduzir um filme com nova origem de um grupo previamente ao segundo filmes dos Vingadores, especialmente uma equipe tão geograficamente desconectada.

O início do filme expõe o momento da morte da mãe de Peter. Além de revelar uma conexão com a mãe, essa cena não inicia a história de fato, mas procura estabelecer que o pai de Peter não é um mero humano. De alguma forma, não devemos encarar o protagonista como um qualquer.

Após a logomarca da Marvel, temos o incidente incitante, que é a captura do Orbe por Peter. Uma coincidência tremenda que os capangas de Ronan cheguem ao mesmo tempo pelo mesmo objeto, aliás. A cena ganha pela quebra que traz com a música e a dança de Peter – uma leveza que dá força ao filme.

Um dos meus problemas com Guardiões da Galáxia é o caráter de exposição que tem sobre o UCM. Apesar de inúmeros easter eggs, especialmente na cena com o Colecionador (um elfo de Thor O Mundo Sombrio, um Chitauri da guerra de Vingadores), a grande conexão da produção com o resto do Universo é a explicação sobre as Gemas do Infinito. Descobrimos que existem seis, entre elas o Tesseract e o éter, que já conhecemos.

Outro problema é o vilão, Ronan. Apesar de sua decisão de se rebelar contra Thanos poder ser interessante, o vilão é bastante clichê – brutamontes, pouco objetivo, cai em truques bobos como Peter dançando. Para o sossego do filme, sua aposta é de fato nas relações internas da própria equipe, que funcionam bem.

Sorriso Groot
Ah, Groot é foda.

VINGADORES: A ERA DE ULTRON

Vingadores A Era de Ultron
Já dá para a Panini fazer um álbum.

Vingadores gira em torno de um cetro. A Era de Ultron gira em torno de um cetro. Talvez uma das perguntas iniciais que ocorre com esse filme seja: como a droga do cetro que estava na Torre Stark no fim de Vingadores 1 passa para as mãos da Hydra, a fim de ser a busca dos heróis no início do segundo filme?

Essa pergunta dá o tom de muitos dos questionamentos feitos à nova aparição da equipe. Por mais sentido comercial que faça uma Fase 2, com filmes solos de cada herói preparando o terreno para a nova entrada da equipe, uma certa lógica se perde. Em um universo compartilhado, porque eles não interagem mais ao longo dos anos? Orçamentos impedem que eles apareçam muito nos filmes dos outros (até Guerra Civil), mas como justificar que Stark fique indiferente à tomada da S.H.I.E.L.D. pela Hydra, ou que Hulk não seja convidado para enfrentar uma nave alienígena gigante invadindo Londres?

Essa parcial incoerência faz com que o filme diga, em seu início, que o grupo está fazendo operações em conjunto – basicamente em busca do cetro. Então como se reúnem, sem a S.H.I.E.L.D.? Quem define as missões, as prioridades, como estão as relações? Essas questões acabam em um limbo, e nós como público temos que aceitar engolir informações sem a menor construção ao longo do tempo. Um exemplo? O interesse amoroso entre Natasha e Banner. De onde veio esse potencial, em todo o UCM?

O filme consegue manter humor, apesar do tom sombrio apresentado nos trailers, e o título acaba soando como um grande exagero, afinal, a trama com Ultron demora dias, não uma Era.

Ultron é um personagem um tanto arbitrário. Seu destaque está na atuação de seu dublador, o incrível James Spader. Com o poder que uma inteligência artificial tem sobre toda a rede de comunicações humana, a capacidade do vilão é bastante subaproveitada. Ele poderia derrubar a energia de cidades (e muito mais, quem sabe), mas fica preso em megalomanias. O impacto de uma situação como Sokovia é grande, claro, mas acaba sendo usado em Homem Formiga ou em Agents of S.H.I.E.L.D. muito mais para frases de efeito do que para mostrar uma crise real. Ultron era capaz de mais, de criar uma crise mundial – o que construiria com mais força o clima de um filme com a pompa de Guerra Civil.

Ultron também é usado como combustível no filme para criação de conflito entre Stark e Rogers – conflitos muito superficiais, a meu ver. A relação de ambos continua tranquila ao final, aparentemente, o que aumenta a carga de construção que Guerra Civil precisa criar por si própria. Apesar dessa utilização da inteligência artificial como responsabilidade de Tony, precisamos atentar a um detalhe. Por ser originária da gema da mente – aquela joia do infitino que aprendemos residir no cetro, e que passa a ser parte de Visão -, o próprio Tony alerta que ele e Banner não criaram Ultron de fato, apenas tentarão aplicá-lo para seu uso (o que de fato não deu certo). Essa gema controla a mente (por que não de uma inteligência artificial), e estava sob posse de Thanos inicialmente. Voltando À teoria que comentamos em Thor O Mundo Sombrio, poderia Ultron ser parte do plano de Thanos de recuperar a joia que perdera?

Ao falhar nessa tentativa, Thanos decide – finalmente – colecionar as joias ele mesmo.

Por último, o papel dessa Fase enquanto estrutura. A Marvel criou as Fases 1, 2 e 3 em volta dos filmes dos Vingadores. Homem Formiga posteriormente passou para a Fase 2, contudo, são essas as produções centrais à cada bloco do projeto. Então será que a Fase 2 contém toda construção esperada do Ato 2 do UCM (a fase da Confrontação)?

Meu palpite é que não. Primeiro porque ela é pequena demais. Em média, o Ato 2 de uma produção contém o dobro do tamanho dos Atos 1 e 3. É aquela uma hora de filme que desenvolve conflitos atrás de conflitos, entre a virada que tirou o protagonista completamente do rumo até sua “batalha final”. Porém a Fase 3 contém 11 filmes, contra seis das duas fases anteriores. Então, em termos de estrutura, a Fase 2 não é um bloco completo – deixar para o Ato 3 tanta construção seia sobrecarregá-lo, o que desequilibra a história.

Segundo porque o fim de A Era de Ultron não é suficientemente relevante. Reflita na transformação causada por toda a Fase 1, culminando com o fim de Vingadores. Agora pense na transformação causada por toda a Fase 2, culminando com o fim de Vingadores A Era de Ultron. O impacto não é proporcional, o mundo (ou o Universo) não mudou o suficiente nessa Fase 2. Algumas tramas se aprofundaram, mas é só.

Com isso, ainda teremos nos filmes iniciais da Fase 3 uma carga forte de Confrontação, que não nos direciona claramente à batalha final. É o que já está acontecendo com Guerra Civil e com a quantidade de filmes solos de “origem” previstos na Fase 3, como Doutor Estranho, Homem Aranha ou Pantera Negra. O que podemos interpretar disso?

Um filme de mais impacto do que A Era de Ultron ainda está por vir, antes dos filmes da Guerra Infinita. Alguns candidatos a isso:

  • Guerra Civil: esse longa ocorre cedo demais para ser o clímax do Ato 2 na estrutura do UCM, mas pode fazê-lo pelo impacto que sua premissa pode causar – afinal, uma guerra civil dentro do time de heróis não pode ser pouca coisa.
  • Guardiões da Galáxia 2: o primeiro filme conseguiu grande reputação e é um dos que mexem com o contexto fora da Terra. Ou seja, Thanos deve ser chave aqui, o que aumenta o potencial do filme.
  • Thor: Ragnarok: o meu chute para ocupar o posto de clímax do Ato 2. Pode soar estranho, afinal, pelos filmes anteriores de Thor, é difícil imaginar que ele consiga esse protagonismo agora, no entanto:
    • Homem de Ferro é o destaque solo da Fase 1, e Capitão América o da Fase 2. São os três heróis com produções solo em qualquer fase do UCM (homem de ferro tem 3 filmes antes, e seu espaço vip em Guerra Civil), e é o momento de Thor justificar toda essa atenção com uma grande história.
    • O asgardiano ainda é a principal lente que temos para os contextos extraterrestres, e com Thanos mais ativo, coisas grandiosas devem acontecer nesse espectro.
    • O filme terá Hulk, e a dinâmica entre os dois em Vingadores foi um ponto forte que pode ser melhor explorado em uma produção solo.
    • Por último, Ragnarok é o fim dos tempos na cultura nórdica, e é o que todas as previsões sobre o filme apontam como tema a ser explorado. A grande transformação no UCM pré filmes da Guerra Infinita deve vir daí.

HOMEM FORMIGA

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O mesmo autor do link é responsável por outros posters “paródias” maneiríssimos do Homem Formiga. Créditos: http://tclarke597.deviantart.com/art/Ant-Man-Captain-America-The-First-Avenger-542427447 tclarke597

Um filme “convidado” para a Fase 2 acaba roubando a cena. Homem Formiga parece não ter razão de existir quando pensamos nos outros personagens grandiosos, até que a Marvel consegue colocar sua essência: humor e bons desenvolvimentos de personagens, apesar de um vilão tosco.

O grande papel dessa produção, porém, está na cena pós-créditos. A propaganda feita para Guerra Civil. Não há muito mais o que falar aqui, deixa eu correr pois amanhã a Fase 3 começa.


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