Álbuns que você deveria conhecer – St Paul & The Broken Bones

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Um dia eu estava lendo um texto do ilustríssimo Ricardo Coiro, no qual ele citou a banda em questão. À princípio, achei a banda um pouco insípida, sem conteúdo. Sabe, quando você ouve uma música, acha legal, mas sente que falta algo.

Foi quando o vocalista, o muito talentoso e desconhecido Paul Janeway, começou a mostrar para que veio. Sua poderosíssima voz, aliada a uma indescritível veia soul, fez com que eu me apaixonasse pela banda na mesma hora.

Então ouvi o álbum inteiro. Depois, ouvi de novo. Uma terceira vez, e uma quarta. Cada vez, uma experiência diferente, única, especial.

Depois, como um costume meu, procurei a banda ao vivo. Pensei comigo: impossível ele ser tão bom ao vivo.

Estava certo. Ele não era “tão bom” ao vivo. Ele era melhor, muito melhor. Uma das presenças de palco mais fodas que já tive o prazer de ver; a voz, então, só ouvindo para entender!

Então, vamos ao que interessa…

St Paul & The Broken Bones é um sexteto do Alabama, EUA, cujo estilo musical está diretamente ligado ao soul dos anos 70. Quando se fala neste estilo, muitas vezes surge imediatamente a ideia de afro-americanos. Bem, na maior parte das vezes, é verdade. Marvin Gaye, James Brown, Aretha Franklin, Sam Cooke, Al Green, Luther Vandross, Patti LaBelle, Ray Charles…

A lista segue adiante.

Isto se deve pela qualidade dos artistas negros norte-americanos (antigamente ainda mais do que hoje, mesmo que hoje ainda encontremos artistas sensacionais). Os homens, então, com suas vozes potentes, suas aparências de macho alfa, que levavam ao delírio mulheres de todas as idades, raças e religiões, com suas belezas hoje ditas “clássicas”, muitos deles conquistadores, com uma lista quilométrica de pares amorosos.

Paul Janeway tem uma voz que nos remete a esses homens. Mas só a voz…

A banda
A banda

Sua aparência é incongruente com sua voz (você pode achar que escolhi a foto com um intuito meramente sarcástico, mas veja suas performances ao vivo e verá que ele é assim normalmente), mas isso só nos faz lembrar que “as aparências enganam”.

Quem não se lembra de Susan Boyle? Ou Paul Potts? Ou, ainda mais expressivo, Jonathan e Charlotte?

A banda reúne um cantor gospel, de uma Igreja Pentecostal, com integração de estilos sulistas do soul (pense em James Brown), dos anos 60, com elementos do rock moderno, em uma mistura muito simples, trazendo de volta um pouco de autencidade em um mundo onde ela está gravemente ameaçada de extinção.

Se você ainda não está interessado na banda, saiba que eles abriram um show do Rolling Stones. Keith Richard, inclusive, disse, em uma entrevista, que escuta St. Paul & The Broken Bones.

Vamos às músicas…

Só uma observação antes: optei por colocar na ordem da minha preferência (da minha música preferida à menos preferida; o que não foi nada fácil).

Faixa 03 Call Me

Uma música levada não pela guitarra, nem pela bateria, mas pelo entusiasmo do vocalista. Entusiasmo de alguém que está amando, a tal ponto que precisa muito da pessoa.

I need you I need you
I need I need you baby
I need I need I need I need I need I need you baby
I need I need I need I need I need I need you baby

Faixa 09 Grass is Greaner

Essa música transpira blues, além de uma clara referência ao passado de Janeway, cantor gospel.

Acompanhando toda a dinâmica do álbum, ele está triste, devastado por relacionamentos antigos que não deram certo, porque ele diz:

I know that I’ve been cold
Baby, I, I ain’t got no soul
I have had those sweet sugar thoughts
They’re taken away from me

Mas ele sabe que é assim, então pede para que ela lhe dê uma nova chance, que tenha paciência.

You’ve got to give me time
Please don’t leave me baby,
I can’t have you leavin’ me

Faixa 11 Dixie Rothko

Sente. A. Voz. Desse. Cara.

São gritos que vêm das profundezas de sua alma. É paixão, é vontade, é amor, é dor. É tudo. É maravilhoso.

Faixa 05 That Glow

Essa música é perfeita para mostrar seu incomparável alcance vocal. Lembre de alguém, hoje em dia, que tenha uma voz tão potente e que, ao mesmo tempo, transborde emoção.

Nada?

Ainda nada?

… nada, né?

Pois é.

Faixa 06 Broken Bones & Pocket Change

This heart is all she left me.
(Esse coração foi tudo que ela me deixou)

Janeway mostra sua alma e emoção nessa música, sem inibições. Até os outros músicos parecem surpresos com a qualidade de seu vocalista. Perceba que eles chegam a sorrir quando Janeway mostra para que veio.

A música segue e ele confirma como ficou devastado depois de seu coração ser partido:

“Music died and it let me go
Said goodbye to my poor soul
The melody, why have you forsaken me.”

Faixa 02 Don’t Mean a Thing

Faixa 01 I’m Torn Up

Essa música tem autencidade escrita por todos os lados – desde sua produção com uso de tecnologias clássicas, para buscar um som semelhante ao usado nos anos 60, à letra que nos remete a um amor real, ao vocal incrivelmente potente. A emoção da voz dele nos remete aos artistas do passado; se você é familiarizado com músicas antigas, certamente notará.

Faixa 10 Let it be so

Mudando um pouco os ares, aqui o guitarrista que nos mostra que a banda não é só o vocalista… embora ele continue sendo o mais brilhante de todos.

Faixa 04 Like a Mighty River

Faixa 07 Sugar Dryed

Uma música que deixa o tom sombrio e depressivo das anteriores, em uma batida mais rápida e animada.

Faixa 08 Half the City

Difícil não bater o pé no chão e acompanhar o compasso da música com alguma parte do corpo.

Faixa 12 It’s Midnight


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Nicholas Nogueira

Carioca, que abriu sua própria empresa para poder ter tempo de escrever e falhou miseravelmente. Uma pessoa intensa que encontrou na escrita a única forma de extravasar tudo que passa dentro de si.