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Álbuns que você deveria conhecer – “California”, Mr. Bungle

Tempo médio de leitura: 4 minutos

Muitos apaixonados por rock já ouviram falar da banda Faith No More; outros, ainda mais apaixonados, já ouviram falar (e são fãs) de Mike Patton, que é considerado um dos melhores vocalistas da história, devido ao seu alcance absurdo de notas, das mais agudas às mais graves.

O que pouquíssimos conhecem é esse seu projeto paralelo, que eleva seu talento à máxima potência. Não há como relacionar Mr. Bungle a nada que você já tenha escutado na vida; ou talvez tenha, se você relacionar a tudo, ao mesmo tempo, em todas as músicas.

Não entendeu? Bem, em uma mesma música, você pode encontrar rock, blues, jazz, heavy metal, surf rock, punk, ska, folk, pop, funk metal, Doo-wop, música eletrônica, swing (que não envolve troca de casais), bossa nova (sim!), rock progressivo, country, música de vídeo game e desenhos, e música de circo. Eu estou abreviando aqui, lógico.

O mais interessante que as mudanças são sutis. Se você não prestar muita atenção, sequer vai saber que o estilo mudou. Ainda mais interessante, é que as músicas são completamente acessíveis.

Gênios.

Além disso, os instrumentos variam desde as clássicas guitarras, bateria, baixo e teclados, ao clarinete, ocarina, saxofone tenor, xilofone, berimbau, saltério, glockenspiel, e muitos outros que ninguém ouviu falar.

Mr. Bungle não teve influência direta de nenhuma banda ou artista, mas influenciou diretamente outros artistas, como Korn, Incubus, System of a Down e Slipknot.

Você, assim como eu, não vai ficar viciado e querer ir a shows da banda, mas certamente é algo a se escutar, pela diversão que traz. Além disso, ouvir algo que não tem igual no universo inteiro é (ou deveria ser) um ótimo incentivo.

Sweet Charity

O elemento mais claro aqui é o surf music (me faz lembrar música havaiana), com toques de bossa nova e samba, com uma miríade instrumentos de percussão (incluindo pandeiro e cuíca).

Aqui a influência dos Beach Boys é bem clara.

None of Them Knew They Were Robots

Uma das músicas mais criativas do álbum; envolve o rock industrial com levadas de jazz e swing, além de um refrão que poderia ser dançado com passos de Twist.

Essa música é totalmente louca, mas é muito foda. Ouça com um bom headphone, se possível, para notar os efeitos usados e a variação de estilos.

Os instrumentos variam desde trompetes, acordeão, contrabaixo (o clássico), sintetizadores, harmonias vocais que poderiam ser definidas como soluços e imitações de porco (oinc).

Retrovertigo

A música mais “comum” do álbum; mais centrado em uma balada de rock, misturado com efeitos característicos da música eletrônica, mas nem um pouco convencionais.

The Air-Conditioned Nightmare

Ars Moriendi

Uma justaposição de ritmo espanhol característico (com castanholas!), música oriental (generalizando, lógico), pincelada com tons de Klezmer. Por volta de 1:50, dá para perceber a participação de James Hatfield, do Metallica. Não, mentira, mas a voz é idêntica.

Pink Cigarette

A princípio, essa música pode parecer uma balada pop comum, mas podemos ver em sua letra que há algo por trás. Nesse caso, um bilhete deixado por um homem que se matou.

Golem II:The Bionic Vapour Boy

A música começa com alguém dando corda em um brinquedo.

Em alguns momentos, a música parece tirada de um vídeo-game antigo, com sons de sintetizadores e solos de baixo gravados em uma qualidade baixíssima, igual aos vídeo-games antigos.

The Holy Filament

Vanity Fair

Essa música lembra algo tirado dos anos 50. Aqui, a harmonização vocal está em alta. Há pouco uso de instrumentos, com a harmonia ficando por conta da voz de Patton.

Goodbye Sober Day

Em uma música comum (o que não é o caso), você usa uma faixa para cada instrumento: guitarra, baixo, bateria, voz. Algumas faixas sempre são adicionadas, para conferir profundidade. Em uma música comum, não deve haver mais de 10 faixas. Essa música usa 40. São tantos instrumentos, e camadas de voz, e percussão, e todo o resto, que a gravação ficou com 40 faixas.

Isso fica muito claro logo nos primeiros segundos da música. E mostra muito bem o que falei da sutileza: a cada dez segundos a música parece mudar de ritmo, mas você não sente isso. Sente que a música é maluca, mas só isso.

Salsa, metal, cantos tribais, Doo-wop elevado à máxima potência. Além de vários outros estilos que eu não consegui identificar.

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