Doeu

Tempo médio de leitura: 2 minutos

Eu acreditei muito que o Brasil ganhava essa Copa. Talvez por uma ilusão da vitória na Copa das Confederações em 2013. Talvez a vontade de ver a vitória em casa tenha se confundido com uma confiança que não fazia sentido.

Não importa.

O Brasil perdeu porque o Fred não jogou nada. Ou foi por que o Julio César foi titular? Ou pela ausência do Thiago Silva e do Neymar?

Não importa.

Importa que sentimos necessidade de pertencer a um grupo. Vivemos em um país difícil, novo, com um caminho longo a percorrer. A batalha que esquecemos que lutamos, do dia-a-dia, nos isola em meio a dificuldades. É aí que entra a seleção.

Não importa que o grupo vestindo a amarelinha seja oficialmente da CBF. Ela é parte do povo. Em algum momento do Século XX, talvez após a final de 58, o povo escolheu a seleção brasileira de futebol como sua representação máxima de grupo. É nela que olhamos pro lado e nos vemos em conjunto, vivendo um coletivo que suporta as mazelas diárias, as supera.

Não vou condenar um grupo o qual me permite a sensação de coletivo. Estou triste sim, pois a derrota é minha também. Seria inútil estar triste se não fosse.

Espero nesse momento o menor número possível de brigas. Todos merecem chegar com segurança a suas casas, independentemente do teor da derrota. Não me imagino parte de um grupo que transforma a dor em violência.

Agradeço nesse instante aos jogadores que continuaram correndo todo o segundo tempo, mesmo a tragédia insistindo em aumentar. Agradeço aos torcedores no Mineirão que cantaram muito, aplaudiram os alemães merecidamente, e não se deixaram rebaixar pela derrota.

Parabenizo o esquete alemão, que já joga melhor que qualquer seleção no mundo desde 2006, mesmo sem títulos no período. Mas repudio o até então simpático Schweinsteiger; não peça desculpas ao povo brasileiro por terem feito seu trabalho com maestria. Não somos dignos de pena.

E espero que todos saibamos lidar com a dor. É parte da vida, e nós, brasileiros, somos craques em vivê-la e dar a volta por cima. Só no futebol já foram cinco, e a sexta ainda vem por aí.


Gostou do texto?

Você pode receber as atualizações do Além do Roteiro inserindo o seu email abaixo e clicando em “Seguir”.

Yann Rodrigues
Editor, também escreve em

Apaixonado por entender narrativas. Das histórias que nos encantam em páginas e telas, às narrativas que nos guiam ou aprisionam na vida.