Acabou o UFC. Agora, a democracia

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A tradicional alcunha de “festa da democracia”, que todo período de eleições no Brasil recebe, foi substituída por um clima de luta digno de um “Anderson Silva vs Chael Sonnen”. Independente da analogia, vende-se a ideia de que o voto é o ápice da vida política de um cidadão, o ápice da democracia. Na verdade, o voto é o momento menos importante da democracia.

Na forte cultura futebolística do país, a eleição se veste de final, onde grupos comemoram vitória, outros amargam derrota, e a maioria esquece da política naqueles três anos e nove meses entre um 1º de janeiro de posse e a próxima eleição.

Democracy is so overrated – A democracia é tão superestimada.

A frase de Frank Underwood, na série House of Cards, se aplica bem a esse contexto. Apertos de botão em uma urna eletrônica resumem todo o papel dos ditos cidadãos, enquanto quem está lá, no poder, mais nos manda do que nos obedece.

Esse não é o significado de uma democracia. Ao menos não é aquele em que acredito. Prefiro o enunciado por Abraham Lincoln, em um de seus discursos mais profundos.

Lincoln frase democracia
…e que o governo do povo, pelo povo, para o povo

Do povo

O enunciado não é só poético, mas casa perfeitamente com a nossa Constituição Federal. Logo no artigo 1º ela avisa que o Brasil “constitui-se em Estado Democrático de Direito”. Em português, o Estado Democrático é aquele em que o poder deriva do povo. O povo é o dono do poder, a origem, daí o “governo do povo”.

Para o povo

Essa tal de República Federativa do Brasil existe para servir o povo, como deixam claros os artigos e . Descrevem os objetivos fundamentais do Estado, e os direitos e deveres fundamentais de todos, de Nordeste a Sudeste, de empresários a bolsistas, denominações X a denominações Y.

Pelo Povo

Voltando ao 1º artigo, cabe aqui o parágrafo único que o finaliza.

Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

Mais uma vez, o povo é a origem do poder, mas é também quem o exerce, por representantes eleitos ou diretamente.

Agora a pergunta: exerce? A gente vive uma democracia, ou uma fachada? Melhor, a gente faz uma democracia?

Nesse modelo de Copa do Mundo, o único poder que o povo exerce é o de eleger seus representantes. Na “estiagem” do período entre eleições, os ditos representantes trabalham como querem, sem ninguém cobrar.

Imagina no trabalho. Seu chefe delega uma tarefa a você. Ou um cliente contrata um serviço seu. Eles te cobram, ou você determina todos os detalhes do trabalho?

Nas duas formas de exercício de poder que temos, a da eleição de representantes é aquela em que somos os chefes ou clientes. Nós delegamos parte do poder, e devemos cobrar, e saber cobrar. A segunda forma, direta, é negligenciada ou desconhecida por nós. Por que não mudar isso?

É o que vamos começar aqui no Além do Roteiro. Seja prestar atenção, cobrar, conhecer mais ou exigir prestação de contas daqueles que nos representam. Não adianta dizer que Dilma ou Bolsonaro não te representam. Representam sim, enquanto ocuparem as cadeiras em que os colocamos. Devemos fazer com que trabalhem dessa forma, e se não merecerem continuar nos representando, é nosso o papel de tirá-los (em 4 anos ou menos).

Esse é o convite, mas não precisa responder agora. Vamos evoluir aos poucos, então pode olhar os próximos posts do tema, e contribuir da forma que quiser, se quiser. Aqui ou em qualquer outra iniciativa, só peço: não deixe para pensar de novo no assunto apenas em Outubro de 2018. Não sou só eu que falo, também a Turma da Mônica.

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Yann Rodrigues
Editor, também escreve em

Apaixonado por entender narrativas. Das histórias que nos encantam em páginas e telas, às narrativas que nos guiam ou aprisionam na vida.