O texto a seguir foi escrito com a ajuda da avaliação de algumas amigas. A observação do ponto de vista delas, trouxe contribuições muito valiosas.

Quando era mais novo, costumava exercitar meu cavalheirismo nos oitavos dias dos meses de março. Mensagens doces, enaltecendo a beleza e a doçura das mulheres, eram típicas nas minhas palavras e até hoje o são nas de muitos homens.

De uns anos pra cá, porém, cresce em mim um esclarecimento sobre questões de gênero, graças aos ótimos textos e discussões sobre o tema os quais eu li. E junto com isso, um incômodo com as minhas atitudes cavalheirescas desse dia.

É estranho achar o cavalheirismo e a gentileza coisas ruins. Até porque em geral, não o são. Mas o fato é que hoje é um dia para reconhecer as mulheres mais pelas coisas que elas fazem além do estereótipo feminino. Reconhecer as mulheres por serem boas mães e amantes, apenas serve para manter esse estereótipo.

Gentil então é enaltecer como as mulheres são boas líderes, políticas, empreendedoras, intelectuais. Em vez de dar flores, dê um livro, mas não sobre cuidados com o corpo, como a Saraiva e sim sobre política, ou outro assunto que você gosta de discutir com os amigos — ou dê flores para ela, se ela gostar disso e não simplesmente por ser uma mulher. Vá com ela a um estádio de futebol, pra ela xingar o lateral direito incompetente junto contigo e pro bar antes ou depois. Acima de tudo, dê respeito a voz delas.

Até porque a origem da data está associada à luta de mulheres por direitos iguais e não pela atenção e carinho dos homens.

Publicado originalmente no Medium por Gustavo Barreto.

Nota do editor: para seguir na conversa sobre o cavalheirismo, indico o texto “Cavalheirismo é machismo“.


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Passo boa parte das minhas horas vendo esportes, no netflix, no bar ou perdido em textos na net. Nas restantes, escrevo no Medium e aqui sobre isso


Gustavo Barreto

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